Postagens
recent

Primeira deputada negra do Brasil era filha de uma ex-escrava





 Hoje, no dia Internacional da Mulher, trouxemos uma das várias Histórias esquecidas de pessoas que ajudaram a construir esse país: Antonienta de Barros: a filha de uma ex-escrava teve papel fundamental na luta pela igualdade racial e pelos direitos das mulheres no Brasil. Antonieta foi a primeira mulher negra a ser eleita deputada no Brasil. Em 1935, ela conquistou nas urnas uma vaga para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

 Antonieta nasceu em Florianópolis em 1901 e teve uma infância muito dura. Ao ser libertada da escravidão, sua mãe trabalhou como lavadeira. Como as duas passavam necessidades, sua mãe arrumou maneira para complementar a renda e transformou sua casa em pensão para estudantes. Seu pai, um jardineiro, morreu quando ela ainda era menina.

 Antonieta só conseguiu se alfabetizar por conviver com os estudantes que moravam na pensão da sua mãe, ou seja, sua casa.Aos 17 anos, entrou na Escola Normal Catarinense, concluindo o curso em 1921. No ano seguinte, fundou o Curso Particular Antonieta de Barros, voltado para a educação da população carente.

 Antonieta também chegou a trabalhar como jornalista, sendo fundadora do periódico A Semana, que circulou entre 1922 e 1927. Por meio de suas crônicas, divulgava ideias ligadas às questões da educação, dos desmandos políticos, da condição feminina e do preconceito. 


 Sua mãe, escrava liberta, trabalhou como doméstica na casa do político Vidal Ramos, pai de Nereu Ramos, que viria a ser vice-presidente do Senado e chegou a assumir por dois meses a Presidência da República. Por intermédio dos Ramos, Antonieta entrou na política e foi eleita para a Assembleia catarinense em 1934, dois anos depois de o voto feminino ser permitido no país – acontecimento que acaba de completar 84 anos, ela filiou-se ao Partido Liberal Catarinense, elegendo-se deputada estadual. Uma das principais bandeiras de seu mandato foi a concessão de bolsas de estudo para alunos carentes. Ela exerceu o mandato até 1937, quando começou o período ditatorial de Getúlio Vargas. No mesmo ano, sob o pseudônimo Maria da Ilha, escreveu o livro Farrapos de Idéias.

 Em 1947, após o fim da ditadura Vargas, ela se elegeu deputada novamente, desta vez pelo Partido Social Democrático, cumprindo o mandato até 1951. Antonieta nunca deixou de exercer o magistério. Ela dirigiu a escola que levava seu nome até morrer, em 1952.

 O documentário Antonieta, da cineasta paulista Flávia Person, lançado no fim de 2015 em Florianópolis, tem previstas várias exibições em março, quando se comemora o mês da mulher. E leva o nome de Antonieta de Barros o prêmio nacional para jovens comunicadores negros criado pela Secretaria da Igualdade Racial do governo federal. Para assistir o documentário, é só acessar o link: https://www.youtube.com/watch?v=w511SXZxRMU


Fonte: History

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.