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O silêncio sobre a Guerra do Iémen que já matou 85 mil crianças de fome

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Em 9 de agosto, apenas um míssil oriundo do exército da Arábia Saudita, matou 30 crianças a bordo de um carro. Achou absurdo? Pois saiba que é apenas mais um episódio de uma guerra longa, sangrenta e ignorada no Iémen.

 O Iêmen é um país árabe que ocupa a extremidade sudoeste da Península da Arábia. É limitado a norte pela Arábia Saudita, a leste por Omã, a sul pelo mar da Arábia e pelo golfo de Áden, do outro lado do qual se estende a costa da Somália e a oeste pelo estreito de Bab el Mandeb, que o separa de Djibouti, e pelo mar Vermelho, que providencia uma ligação à Eritreia. Além do território continental, o Iémen inclui também algumas ilhas situadas ao largo do Corno de África, das quais a maior é Socotorá. A capital e cidade mais populosa do país é Saná.

 O Iêmen, um dos países mais pobres do mundo árabe, tem sido devastado por uma guerra civil que opõe duas potências do Oriente Médio: de um lado, estão as forças oficiais do governo de Abd-Rabbu Mansour Hadi, apoiadas por uma coalizão sunita liderada pela Arábia Saudita. Do outro, está a milícia rebelde huti, de xiitas, apoiada pelo Irã.

 As Nações Unidas estimam que no Iémen há 8,4 milhões de pessoas “a um passo da fome” e que 14 milhões a precisam urgentemente de ajuda humanitária. Além disso, em 2017 o Iémen teve o pior surto de cólera desde que há registos, com 1 milhão de pessoas infetadas. A ONG Save the Children estima que quase 85 mil crianças com menos de 5 anos morreram de fome e doenças desde o início da guerra no Iêmen, em 2015.

Mas como essa guerra começou?

 Tudo começou no processo de transição política que tinha como o objetivo trazer estabilidade ao Iêmen, que infelizmente fracassou depois de uma revolta que aconteceu na sequência da Primavera Árabe em 2011 que forçou a saída do poder do ex-presidente Ali Abdullah Saleh após 33 anos no poder, e passou o comando do país para o seu então vice, Hadi.

 O movimento huti, que segue uma correte do islã xiita chamada zaidismo, aproveitou da fraqueza do novo presidente e tomou controle em Saada, no nordeste. Muito tempo depois, após ganharem poder a cada dia, movimento huti em janeiro de 2015 eles cercaram o palácio presidencial e colocaram o presidente Hadi e seu gabinete em prisão domiciliar.

 O presidente conseguiu fugir, porém, os hutis tentaram então tomar o controle do país inteiro e Hadi teve que deixar o Iêmen.

 Após esse episódio e o alarmante crescimento xiita na região, a Arábia Saudita e outros oito Estados sunitas árabes começaram uma série de ataques aéreos para restaurar o governo de Hadi. Essa coalizão recebeu apoio logístico e de inteligência de Estados Unidos, do Reino Unido e da França.


O que aconteceu depois disso ?

 Depois de ser inciado há dois anos e meio, mesmo sendo extremamente sangrenta, nenhum lado está disposto a ceder a paz. Sem sucesso, a ONU tentou por três vezes um consenso em um acordo.
 Os jihadistas da Al-Qaeda na Península Arábica e rivais de organizações parceiras do Estado Islâmico têm tomado proveito do caos, confiscando territórios no sul e cometendo ataques mortais, principalmente em Áden.
Mais de 20 milhões de pessoas, incluindo 11 milhões de crianças, precisam de ajuda humanitária imediata. Há 7 milhões de pessoas dependentes de ajuda para comer e 400 mil crianças sofrendo de desnutrição;

 Ao menos 14,8 milhões estão sem cuidados básicos de saúde, e apenas 45% dos 3.500 postos de saúde estão funcionando. Eles estão lutando para conter a maior epidemia de cólera do mundo, que já resultou em mais de 913 mil casos suspeitos e em 2.196 mortes desde abril.



A relação EUA-Arábia Saudita 

 Os Estados Unidos são críticos ferrenhos da Venezuela, por alegarem que o país seja uma ditadura. Mas o que muitos esquecem é que os Estados Unidos é um aliado chave da Arábia Saudita, que é uma monarquia absolutista teocrática. A Arábia Saudita tem grande peso e responsabilidade por tudo que vem acontecendo na Guerra do Iémen. A “Operação Tempestade Decisiva”, o nome irônico da campanha aérea da Arábia Saudita no Iêmen, não conduziu a nada decisivo além de assegurar que o país siga sendo um Estado falido e um campo fértil para organizações como a Al-Qaeda na Península Arábica e gerando fome e morte para o povo. E o que os Estados Unidos falam sobre tal ações que ferem completamente os direitos humanos? 


 As relações com os Estados Unidos começaram desde a formação do reino saudita, em 1932. A Arábia Saudita viu nos Estados Unidos um aliado que a protegeria, de certa forma, dos fortes interesses britânicos. Lembrando que Iraque, Egito e Palestina eram polos de influência inglesa na região.

  A penas um ano após a formação do país, EUA e Arábia Saudita consolidaram o início de sua parceria. O Rei saudita assegurou uma concessão para que empresa estadunidense, California Arabian Standard Oil Company (CASOC), procurasse por jazidas de petróleo em seu território. Em 1948, a CASOC foi renomeada para Arabian American Oil Company (Aramco).Nos anos 80, a empresa se tornou propriedade saudita, uma vez que o país era dono da maior parte das ações da companhia. Desde então, a empresa é conhecida como Saudi Aramco e atualmente produz 12 milhões de barris de petróleo por dia. O peso da Saudi Aramco na economia mundial é indiscutível. Ela emprega 65.266 pessoas e sua estimava de valor no mercado varia entre 400 bilhões e 2 trilhões de dólares (quase três vezes mais que a maior empresa do mundo com capital aberto, a Apple).


Qual será o futuro do Iémen? Com a situação atual, ninguém sabe. O que se sabe, é que uma guerra sangrenta está sendo travada e o mundo inteiro faz silêncio. 


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