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Enem e a sociedade do cansaço: por que estamos ficando doentes?

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Estamos acostumados a estudar, na maioria das vezes, sobre filósofos que já morreram. Byung-Chul Han é um filósofo novo e vivo, de segmento foucaultiano, que se debruçou em um tema incrível e formulou o conceito "sociedade do cansaço".


A sociedade disciplinar


O modelo de "sociedade disciplinar" de Foucault feita de hospitais, asilos, presídios, quartéis e fábricas quem formam "corpos doceis e uteis" através das redes de poder. Às sociedades disciplinares organizaram os grandes meios de confinamento, os quais tinham como objectivo concentrar e compor, no tempo e no espaço, uma forma de produção cujo efeito deveria ser superior à soma das partes. O indivíduo não cessava de passar de um espaço fechado ao outro: família, escola, fabrica, universidade e eventualmente prisão ou hospital. Atualmente, encontramo-nos numa crise generalizada de todos os meios de confinamento da sociedade disciplinar. Segundo Byung, esse modelo não consegue mais explicar a nossa sociedade e constrói uma narrativa para explicar nossa sociedade





A sociedade do desempenho

Segundo Byung a lógica do poder e do funcionamento da sociedade mudou. Uma nova sociedade surgiu: uma sociedade academias fitness, prédios de escritórios, bancos e shopping centers. Na sociedade do desempenho não existem mais "sujeitos de obediência ", mas sujeitos de desempenho e produção, os "empresários de si mesmos."Segundo ele, a sociedade disciplinar de Foucault é uma sociedade da negatividade. Determinada pela negatividade da proibição. Em contrapartida, a sociedade do desempenho vai ser desvinculado cada vez mais da negatividade e se aproximando da positividade. A negatividade produz loucos e delinquentes. A sociedade positiva e do desempenho produz depressivos e fracassados.


Empreendedor de si mesmo

Anteriormente, a sociedade disciplinar aplica seu poder através das instituições, hoje, o poder é aplicado por nós sobre nós mesmos. Ou seja, a lógica é: "podemos fazer tudo o que quisermos, basta queremos". A produção e a eficiência é novo norte que guia nossa sociedade. O excesso de trabalho, a incessante auto-cobrança de um desempenho melhor, caminha de mãos dadas com o sentimento de liberdade. O sujeito é senhor e ao mesmo tempo, escravo de si mesmo, e a liberdade se apresenta apenas como um paradoxo.




O Enem e a sociedade do desempenho

Essa nova ótica, calha perfeitamente pra lógica dos vestibulares. A perseguição por batimento de metas, faz com que, o indivíduo ache que seu resultado é, inteiramente, fruto do seu desempenho. Quem nunca escutou a famosa frase proferida por muitos professores: "se você não aprender, a culpa é sua, afinal, meu salário tá lá no final do mês. O que isso significa? Que de fato, o poder deixou de ser exercido por indivíduos ou instituições, mas por nós sobre nós mesmo.

Depressão, a doença do século

Essa lógica faz que, se não conseguimos conquistar algo, a culpa é nossa e somos fracassados por não conseguir "vencer". Essa lógica faz que um determinado indivíduo, se mutile emocionalmente por não conseguir, por exemplo, passar no Enem. Nessa lógica de automutilação emocional é que, patologias como a depressão, surjam com extrema facilidade. O que causa a depressão e o esgotamento não é o imperativo de obedecer a si mesmo, mas também a pressão pelo desempenho, o que também gera um esgotamento físico e emocional. O que torna doente, na realidade, não é o excesso de responsabilidade e iniciativa, mas o imperativo do desempenho como um novo "mandato" da sociedade pós-moderna do desempenho. A depressão é o adoecimento de uma sociedade que sofre sob o excesso de positividade.



Conclusão

Essa breve reflexão aqui exposta, baseada na obra de Byung-Chul Han, nos mostra como a lógica da atual sociedade e do vestibular é doentia. Que é normal passar horas fazendo uma prova enorme, exaustiva, complexa e que se não obtemos o resultado esperado, a culpa é nossa.Positividade essa que, nós faz achar que tudo é possível para todos, basta querer. Compramos essa ilusão que "querer é poder" e quando não conseguimos, desabamos em frustração. Por mais que essa uma teoria, ela tem bastante fundamento, pois, vivemos na época que a depressão é a doença do século. No caso do Brasil, somos o país mais depressivo da América Latina e a nível global, a depressão é a doença mais incapacitante no mundo.

Um comentário:

  1. "A depressão é o adoecimento de uma sociedade que sofre sob o excesso de positividade". Perfeito.

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