Postagens
recent

13 negros e negras brasileiros(as) que deveriam ser mais estudados na escola




  Em 1888 a escravidão foi abolida no Brasil por meio da Lei Áurea assinada pela princesa Isabel, filha de D. Pedro II. Porém, o fim do trabalho escravo não foi dado de mão beijada pela família real. Os negros e negras sempre lutaram, fizeram e fazem história que infelizmente não é contada.

Veja agora os negros e negras que continuam sendo deixados de lado:

Dandara dos Palmares



 Não se sabe onde nasceu nem quando, apenas que chegou ainda menina no Quilombo dos Palmares. Lá elaborava estratégias de resistência, aprendeu a lutar capoeira, manuseava armas e caçava. 

Dandara era uma das líderes do exército feminino, foi esposa do Zumbi dos Palmares com quem teve 3 filhos. Ela se suicidou para não ser capturada. 

Machado de Assis


  Nasceu em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro. Por conta do preconceito racial, teve que se tornar autodidata. Quando trabalhava em uma padaria aprendeu a ler e traduzir em francês com a patroa e aos 17 virou tipógrafo na Imprensa Nacional passando a colaborar para revistas além de trabalhar para jornais como Correio Mercantil e Diário do Rio de Janeiro.

 Machado foi eleito o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Seu livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas” é considerado uma das obras mais importantes na língua portuguesa. Ele morreu em 1908.

 
Teodoro Sampaio


 Seu pai, que era padre, o levou para o Rio de Janeiro e o colocou no regime de internato no Colégio São Salvador. Se formou engenheiro em 1877 e por muito tempo foi professor de matemática e desenhista do Museu Nacional para juntar dinheiro e poder comprar a alforria da sua mãe e irmãos. 

 Sampaio ajudou a fundar o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e a Escola Politécnica da USP. Morreu em 1937 no Rio de Janeiro. 

Tia Ciata


 Seu quintal era reduto da fé, da música e da resistência, era um local em que os grandes compositores do Rio de Janeiro se juntavam aos moradores da Pequena África para dançar samba de rosa e cantar. 

Tia Ciata não só recepcionava como também prepara a comida para os convidados, dançava rodas de partido alto e miudinho – que são estilos de samba. É um símbolo de resistência negra pós-abolição, de exaltação do candomblé (quando ainda era proibido) além de apoiar o samba quando era considerado “coisa de vagabundo”. 

Henrique Dias


 É respeitado pelos militares brasileiros e considerado um dos fundadores das Forças Armas, por conta de sua atuação nas duas batalhas de Guararapes. Os holandeses capturaram Dias e ele foi tido como escravo, não ficando entre os prisioneiros mais bem guardados o que permitiu sua fuga se reunindo com as tropas pernambucanas. 

Henrique Dias foi para a Bahia ser capitão-do-mato e combateu quilombos. Ele foi levado a Portugal e encontrou com o rei Dom João 40 que concordou com a ideia de que o regimento de negros fosse perpetuado e que se pagasse pensão aos ex-combatentes. Contudo, os holandeses passaram a produzir o açúcar nas Antilhas cortando assim a lucratividade dos engenhos pernambucanos o que fez com que os senhores colocassem negros e índios em escravidão brutal. Ele morreu de pobreza, no Recife, em 1662.

Mãe Menininha


 O apelido “Menininha” é por conta de ser franzina e é considerada a mãe de santo mais admirada do país por ter tornado o terreiro de candomblé de Salvador o mais respeitado do Brasil. 

 Em 1930 existia a Lei de Jogos e Costumes que dizia que a realização de rituais dependia da autorização policial e limitava o horário de término dos cultos às 22h. Ela foi uma das principais lideranças que revogou essa lei e, para combater o preconceito e a intolerância, abriu as portas do Gantois para brancos e católicos – o que na época era proibido em diversos terreiros. 

 Mãe menininha não cobrava pelos serviços, tirava o sustento vendendo frutas e doces, costurando e sendo dona de restaurante porque achava que seu terreiro era como uma “casa de caridade”. Foi homenageada em 76 pela Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel. 

Lima Barreto


 Era neto de escravos e filho de professores. Nasceu em 1881, no Rio de Janeiro e, anos depois do fim da escravidão foi aceito na escola de Engenharia sendo o único negro da sala. Largou a faculdade para cuidar do pai e se tornou funcionário público além de fazer reportagens para o jornal Correio da Manhã, denunciando o racismo e a desigualdade social de seu estado.

Escreveu “O Triste Fim de Policarpo Quaresma” e deixou uma obra de dezessete volumes. Lima Barreto morreu em 1922 e era considerado louco. Seu reconhecimento veio após a morte. 

Nilo Peçanha 


 Formou-se na Faculdade de Direito de Recife, foi advogado e jornalista, militando pela abolição da escravatura e pela república. Após o golpe, ele foi eleito pelo Partido Republicano em 1890. Anos depois tornou-se presidente do Estado do Rio de Janeiro (presidente é equivalente ao cargo de governador hoje em dia) e recebeu boa avaliação de sua gestão.

 Se candidatou a Vice-presidência da República na chapa de Afonso que morreu em 1909. Nilo Peçanha assumiu o cargo durante 17 meses sendo 
conhecido pela criação do primeiro sistema nacional de escolas técnicas. Ao longo de sua vida pública, frequentemente sofria ofensas racistas veiculadas na imprensa que o descrevia como “mulato” atacando sua honra através de charges e anedotas racistas. Morreu em 1924.


Carolina Maria de Jesus

 Ela estudou apenas os primeiros anos do primário e se mudou para São Paulo, em 1937, trabalhando como doméstica e catadora de papel. Nesse período, relatava em seu diário o dia a dia da favela do Canindé. 

O jornalista Audálio Dantas conheceu Carolina enquanto fazia uma reportagem. Após ler os 35 diários, decidiu publicá-los com o título “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” que vendeu mais de 100 mil exemplares em 40 países sendo traduzido em 13 línguas. Ela lançou ainda “Casa de Alvenaria: Diário de uma Favelada” e “Pedaços da Fome”. Morreu em 1977, aos 62 anos.

Cruz e Sousa


 Era conhecido como ‘Dante negro’ e foi um dos maiores autores brasileiros que articulava a defesa da causa abolicionista. Foi professor e jornalista, comandou um jornal em Santa Catarina que defendia abertamente o fim da escravidão.

Sua obra rompeu o classicismo dos poetas parnasianos. Seu caráter único, foco no individualismo e na razão o permitiram sair desses padrões se firmando como grande autor da literatura nacional.  

Sueli Carneiro


 Foi a única negra no curso de graduação da USP e é doutora em filosofia pela Universidade. É uma das mais importantes pesquisadoras sobre feminismo negro do Brasil e seu nome e ativismo foram relacionados à formulação da política de cotas e à lei antirracismo. 

Fundadora e atual diretora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, que é uma organização política de mulheres negras contra o racismo e sexismo. A ONG já prestou serviços como assistência jurídica gratuita a vítimas de discriminação racial e violência sexual. Carneiro ganhou três prêmios sobre feminismo e direitos humanos: Prêmio Direitos Humanos da República Francesa, Prêmio Bertha Lutz e Prêmio Benedito Galvão. 


Abdias do Nascimento


 Começou a trabalhar aos 9 anos e se alistou no Exército para poder se mudar para São Paulo. Abandonou depois a instituição e entrou no movimento da Frente Negra Brasileira, que fazia protestos contra o racismo. Ele criou em 1944 o Teatro Experimental do Negro além de se dedicar a alfabetizar ex-escravos transformando-os em atores. 

Nascimento foi preso e teve que ir para o exílio na ditadura civil-militar voltando apenas em 1981. Se tornou deputado federal pelo Rio de Janeiro após o fim da ditadura e em 90 foi eleito senador, com a plataforma da luta contra o racismo. Morreu em 2011, aos 97 anos.

Milton Santos


 Foi pioneiro na pesquisa geográfica na Bahia e se tornou o único pesquisador brasileiro a ganhar o Prêmio Vautrin Lud, considerado o Nobel de Geografia. Ganhou também o Prêmio Jabuti pelo livro “A Natureza do Espaço”.

Santos foi perseguido e preso durante a ditadura civil-militar por ter sido representante da Casa Civil na Bahia durante o governo de Jânio Quadros. Mas conseguiu asilo político na Europa graças ao consulado da França. Ele deu aulas e fundou laboratórios na França, Inglaterra, Canadá, Nigéria, Peru, Venezuela e Colômbia e retornou ao Brasil nos anos 80. 

Recebeu 20 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades da Europa e América Latina. Morreu em 2001. 



Fontes: BBC, Spotniks, BONDE, Huffpost e Observatório do Terceiro Setor. 

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.