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21 filmes para entender o que foi a Ditadura civil-militar brasileira


 Quem usa as redes sociais, certamente já viu alguém falando sobre esse momento histórico que o Brasil viveu por 21 anos, seja para exaltar ou para repudiar. Porém, o que muitos não sabem é que existem vários filmes nacionais que falam sobre esse nosso período da História. Separei 20 filmes que falam sobre esse momento tão complexo da nossa História e a maioria deles (praticamente todos) estão disponíveis no Youtube. Sem contar, que é esse tipo de filme é muito importante para o Enem, pois ao mesmo tempo que temos alguma atividade de lazer, também estamos estudando. Também é ótimo para passar nas salas de aulas/faculdades e tornar as aulas menos massivas. 


1. MANHÃ CINZENTA (1968)

 Olney São Paulo – Em plena vigência do AI-5, o cineasta-militante Olney São Paulo dirigiu este filme, que se passa numa fictícia ditadura latino-americana, onde um casal que participa de uma passeata é preso, torturado e interrogado por um robô, antecipando o que aconteceria com o próprio diretor. A ditadura tirou o filme de circulação, mas uma cópia sobreviveu para mostrar a coragem de Olney São Paulo, que morreu depois de várias sessões de tortura, em 1978.


2. O DESAFIO (1965) 

 Por tratar do romance entre a mulher de um rico industrial, Ada e Marcelo (Vianinha), um estudante de esquerda, o filme foi entendido como apologia do amor entre as classes. Passou pela censura do regime militar. Pode-se dizer que o diretor quis investigar as razões do Golpe Militar de 1964 (a traição da burguesia industrial, que não se mostrou progressista) e seu impacto psicológico sobre os intelectuais.


3. ARAGUAIA, CONSPIRAÇÂO DO SILÊNCIO (2004)

 Baseado em relatos e histórias reais, narra a presença de comunistas no Araguaia, de 1966 até 1974, levou educação e saúde de graça, a população miserável que habitava a região do Bico do Papagaio, por esse motivo, conviveram em harmônia em meio ao povo do Araguaia. A Ditadura Militar descobre o movimento guerrilheiro em 1972, e durante três campanhas militares brutalmente assassina a maior parte dos membros da guerrilha e massacra e tortura a população local, marcando definitivamente o Estado do Pará como uma terra sem lei e o Brasil reconhecido internacionalmente como um violador dos direitos humanos.


4. PRA FRENTE, BRASIL (1982)

 Roberto Farias – Um homem comum volta para casa, mas é confundido com um “subversivo” e submetido a sessões de tortura para confessar seus supostos crimes. Este é um dos primeiros filmes a tratar abertamente da ditadura militar brasileira, sem recorrer a subterfúgios ou aliterações. Reginaldo Faria escreveu o argumento e o irmão, Roberto, assinou o roteiro e a direção do filme, repleto de astros globais, o que ajudou a projetar o trabalho.


5. JANGO (1984) 

 Já no campo presidencial, retratando a vida política brasileira desses anos através da ascensão e queda do saudoso presidente João Goulart, somos expostos então a um material foto jornalístico e documental de grande apuro sobre o período, em questão. Com certa pompa típica aos documentários da época, e com notável precisão, conseguimos estudar pela voz de José Wilker as engrenagens, por mais de duas décadas, que levaram o presidente Jango a ser deposto no (atual) golpe de 1964 por interesses ocultos que a história foi tratando de iluminar.


6. BAILE PERFUMANDO  

 Como seria, ainda no Nordeste no mais profundo agora do seu sertão, e sendo o oposto de Tatuagem, ter de lidar com o impedimento como se manda o figurino? Na tentativa de se fazer um filme sobre o rei do cangaço, o imortal Lampião e a sua tropa, um cineasta se vê atado ideológica e formalmente de rodar seu filme pernambucano sendo considerado subversivo – ou seja, alguém que pensa por si próprio, podendo atrapalhar o famoso sistema de intolerâncias. Das ficções a emblemar o tema da ditadura e suas agruras, talvez seja essa a mais icônica.


7. O BOM BURGUÊS (1979)

 José Wilker é um bancário que desvia dinheiro do banco em que trabalha para financiar organizações de esquerda da época da ditadura política. Mas a certa altura, um dos grupos financiados pelo personagem é preso e forçado a identificar o homem que fornece dinheiro a guerrilha. Esse clássico do cinema nacional dirigido por Oswaldo Caldeira, é baseado num episódio real envolvendo um funcionário do Banco do Brasil acusado de desviar milhões


8. UTOPIA E BARBÁRIE (2009)  

 Se este não for o melhor documentário nacional a prestar contas ao nosso regime militar, longe ele certamente não fica. Tratando não só dos anos de chumbo brasileiros, mas de inúmeros fatos polêmicos e de grande valia para o que o século XX veio a se tornar, historicamente, Utopia e Barbárie consegue ir muito além do trato para com um tema só no pós-Segunda Guerra Mundial, em vários países aonde se sonhou utopias em meio as barbáries cometidas contra nós mesmos. Um amplo e coerente ponto de referência de investigações cosmopolitas de grandes eventos, e que merece muito mais fama e aclamação do que já passamos a lhe dar, aqui.


9. NUNCA FOMOS TÃO FELIZES (1984)

 Murilo Salles – Rodado no último ano do regime militar, a estreia de Murilo Salles na direção mostra o reencontro entre pai e filho, depois de oito anos. Um passou anos na prisão; o outro vivia num colégio interno. Os anos de ausência e confinamento vão ser colocados à prova num apartamento vazio, onde o filho vai tentar descobrir qual a verdadeira identidade de seu pai. Um dos melhores papéis da carreira de Claudio Marzo.

10. O dia que durou 21 anos (2012)

 Em clima de suspense e ação, o documentário apresenta, em três episódios de 26 minutos cada, os bastidores da participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 64, que durou até 1985, e instaurou a Ditadura Militar no Brasil.

11. CABRA MARCADO PARA MORRER (1984)

 Eduardo Coutinho – A história deste filme equivale, de certa forma, à história da própria ditadura militar brasileira. Eduardo Coutinho rodava um documentário sobre a morte de um líder camponês em 1964, quando teve que interromper as filmagens por causa do golpe. Retomou os trabalhos 20 anos depois, pouco antes de cair o regime, mesclando o que já havia registrado com a vida dos personagens duas décadas depois. Obra-prima do documentário mundial.


12. O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? (1997)


 Bruno Barreto – Embora ficcionalize passagens e personagens, a adaptação de Bruno Barreto para o livro de Fernando Gabeira, que narra o sequestro do embaixador americano no Brasil por grupos de esquerda, tem seus méritos. É uma das primeiras produções de grande porte sobre a época da ditadura, tem um elenco de renome que chamou atenção para o episódio e ganhou destaque internacional, sendo inclusive indicado ao Oscar.

13. AÇÃO ENTRE AMIGOS (1998)

 Beto Brant – Beto Brant transforma o reencontro de quatro ex-guerrilheiros, 25 anos após o fim do regime militar, numa reflexão sobre a herança que o golpe de 1964 deixou para os brasileiros. Os quatro amigos, torturados durante a ditadura, descobrem que seu carrasco, o homem que matou a namorada de um deles, ainda está vivo –e decidem partir para um acerto de contas. O lendário pagador de promessas Leonardo Villar faz o torturador.

14. OS DIAS COM ELE (2013)

 Quando uma cineasta busca entender sua própria história, e a do seu pai, integrando suas vidas aos tempos da ditadura, sem apenas constituir um esbarro narrativo ao período. Maria Clara Escobar então discursa sobre o nosso país e o seu pai, Carlos Henrique Escobar, um dos intelectuais paulistas mais provocativos dos anos 60, e 70, preso e torturado como bem nos relata a ótima biografia Os Dias Com Ele. Eleito melhor filme na 16ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em 2013, é uma inteligente cadência de relatos sobre uma pessoa, e a importância e o peso inseparáveis da história sobre a vida desta.


15. CABRA CEGA (2005)

 Toni Venturi – Em seu melhor longa de ficção, Toni Venturi faz um retrato dos militantes que viviam confinados à espera do dia em que voltariam à luta armada. Leonardo Medeiros vive um guerrilheiro ferido, que se esconde no apartamento de um amigo, e que tem na personagem de Débora Duboc seu único elo com o mundo externo. Isolado, começa a enxergar inimigos por todos os lados. Belas interpretações da dupla de protagonistas.

16. O ANO EM QUE MEUS PAIS SAIRAM DE FÉRIAS (2006)

 Cao Hamburger – Cao Hamburger, conhecido por seus trabalhos destinados ao público infantil, usa o olhar de uma criança como fio condutor para este delicado drama sobre os efeitos da ditadura dentro das famílias. Estamos no ano do tricampeonato mundial e o protagonista, um menino de doze anos apaixonado por futebol, é deixado pelos pais, militantes de esquerda, na casa do avô. Enquanto espera a volta deles, o garoto começa a perceber o mundo a sua volta.

17. LAMARCA (1994)

 Saga do capitão Carlos Lamarca em luta contra órgãos de repressão do regime militar brasileiro. Ele decide abandonar sua carreira militar, deixa sua família para trás e começa a participar de batalhas contra a ditadura, liderando ações contra terroristas e também grupos militares.


18. HOJE (2011)

  Os fantasmas da ditadura protagonizam este filme claustrofóbico de Tata Amaral. Denise Fraga interpreta uma mulher que acaba de comprar um apartamento com o dinheiro de uma indenização judicial. Cíclico, o filme revela aos poucos quem é a protagonista, por que ela recebeu o dinheiro e de onde veio a misteriosa figura que se esconde entre os cômodos daquele apartamento. Denise Fraga surpreende num papel dramático.

19. TATUAGEM (2013)

 A estreia do roteirista Hilton Lacerda na direção é um libelo à liberdade e um manifesto anárquico contra a censura. Protagonizado por um grupo teatral do Recife, o filme contrapõe militares e artistas em plena ditadura militar, mas transforma os últimos nos verdadeiros soldados. Os soldados da mudança. Irandhir Santos, grande, interpreta o líder da trupe. Ele cai de amores pelo recruta vivido pelo estreante Jesuíta Barbosa, que fica encantado pelo modo de vida do grupo.

20. Zuzu Angel (2016)

 O filme é baseado em uma história real e conta o drama da estilista Zuzu Angel, mãe do militante político Stuart Angel Jones. Após a tortura e morte de seu filho por militares, Zuzu decide comprar uma briga com o governo para conseguir recuperar o corpo de Stuart e obter justiça.


21. BATISMO DE SANGUE (2007) 

 Apesar do incômodo didatismo do roteiro, o longa é eficiente em contar a história dos frades dominicanos que abriram as portas de seu convento para abrigar o grupo da Aliança Libertadora Nacional (ALN), liderado por Carlos Marighella. Gerando desconfiança, os frades logo passaram a ser alvo da polícia, sofrendo torturas físicas e psicológicas que marcaram a política militar. Bastante cru, o trabalho traz boas atuações do elenco principal e faz um retrato impiedoso do sofrimento gerado pela ditadura.

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