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Rap: uma metodologia de ensino de Sociologia, História e Filosofia



Por Leandro Marin em sábado 29 setembro 2018

 Rap: uma metodologia de ensino de Sociologia, História e 
Filosofia


 O rap ( Rhytm And Poetrt, que significa Ritmo e Poesia) é uma forma de discurso em ritmo com poesias e rimas que surge em meados do ano de 1970 nas comunidades Afro-descendentes dos Estados Unidos. Seu auge aconteceu nos anos 80 com grupos e artistas que até hoje são enaltecidos na música como: NWA, Snoop Doggy, LL Cool J, Sean Puffy Combs, Cypress Hill, Coolio. Essas letras, principalmente desses artistas, tinham a pegada de criticar a realidade das classes mais pobres e dos negros, que sofriam muito com o racismo. Ou seja, o rap era uma denuncia em forma de música.


O Rap no Brasil

O rap surgiu no Brasil em 1986, na cidade de São Paulo. Os primeiros shows eram apresentados no Teatro Mambembe pelo DJ Theo Werneck. Na década de 80, as pessoas não aceitavam o rap, pois consideravam este estilo musical como sendo algo violento e tipicamente de periferia. Esse gênero em certo tempo foi associado à criminalidade no Brasil, mas com o decorrer dos anos, foi identificado como um estilo forte que associa protesto em forma de música.

Conheça alguns artistas do gênero:

Renan inquérito 


 Renan Inquérito, 34 anos, tem um grupo de rap chamado Inquérito e é professor de Geografia. Quando entrou na faculdade já tinha dois discos gravados e é muito famoso na cena. "Acredito muito na educação, não acredito que o rap vá salvar o mundo. As palavras não mudam o mundo, muda as pessoas", diz Renan. Leia um trecho da música Miséria:

"Pra quem pensava que o país da pizza era a Itália
Pra quem achava que a fome matava só na Somália
Abraça, que nada! bem vindo ao Brasil
Vou te mostrar o outro lado que talvez cê nunca viu
Cada rebelião aqui tiozão é uma Chernobil
E a eleição devia ser todo 1º de Abril
Da casa branca ao inferno só muda a cor do terno
De Porto Alegre ao Acre a pobreza só muda o sotaque
Miséria não tem fuso horário nem idioma
É a mesma no mundo todo desde o império de Roma
E o som do estômago vazio roncando
Não muda do Árabe pro Castelhano
A fome é a única língua universal
Sem tradução fala com a expressão facial
Talvez só vão dar atenção pra tudo isso aqui
Quando a quebrada tremer e cair que nem o Haiti"

Racionais Mc’s

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 Racionais MC’s é o maior grupo brasileiro de rap, fundado em 1988, sendo formado pelos Mc's Mano Brown, Edi Rock e Ice Blue e o DJ KL Jay e está entre as bandas mais influentes do país  Suas canções demonstram a preocupação em denunciar a destruição da vida de jovens negros e pobres das periferias brasileiras, resultado do racismo e do preconceito, ao sustentarem que a miséria está diretamente ligada com a violência e o crime. O álbum “Sobrevivendo no Inferno” é considerado pela Rolling Stone Brasil o 14° melhor álbum da música brasileira.

 Como dito antes o rap no Brasil representa protesto em forma de música, em sua grande maioria, mas acho que o gênero vá muito além disso. Além de servir de forma de protesto, o rap consegue carregar de uma maneira muito inteligente o ensino de matérias das Ciências Humanas que geralmente estudamos no colégio de maneira bem massante. Exemplo vivo disso, são as músicas do grupo Racionais Mc’s.

A música diário de um detento fala sobre como Brasil vive um grande problema no seu sistema carcerário:




“Cada sentença um motivo, uma história de lágrima,
sangue, vidas e glórias, abandono, miséria, ódio,
sofrimento, desprezo, desilusão, ação do tempo.
Misture bem essa química.
Pronto: eis um novo detento”


 Nesse trecho, podemos observar que o Sistema Carcerário no Brasil não tem a função de ressocializar o preso para que ele volte a sociedade, mas acaba fazendo que ele saia da prisão muito pior do que entrou. Um sistema bem diferente de outros países como por exemplo a Dinamarca, exemplo é a prisão de Storstrom, aberta na Ilha dinamarquesa de Falster, não tem nada a ver com a ideia contemporânea de segurança máxima em prisões. Em vez disso, a segunda maior prisão do país nórdico – com capacidade para 250 prisioneiros – mais parece uma aldeia pequena, arquitetada para parecer e para ser. No salão esportivo o tema principal é um barco cercado por gaivotas e ondas para dar uma impressão de espaço luminoso. Já nas celas, onde cada uma tem área de 13 metros quadrados e está equipada com o frigobar, banheiro e TV, podem ser inseridas mais janelas. As janelas do chão ao teto foram implantadas em uma posição especifica para que outros prisioneiros não vejam o que está acontecendo nas celas vizinhas e, ao mesmo tempo, para que todos consigam se deliciar com a paisagem das ilhas. Dessa forma o resultado disso é que durante 5 anos consecutivos a criminalidade na Dinamarca caiu, sendo eleita o 2 ° país mais seguro do mundo.

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Baco Exu do Blues




 Baco Exu dos Blues, é um cantor, rapper e compositor brasileiro. Baco começou a ganhar popularidade após o lançamento da faixa Sulicídio, composta em 2016 com o rapper Diomedes Chinaski, onde ambos fazem críticas aos cenário nacional do rap. Concentrado nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, reivindicando mais visibilidade para a produção musical de outros estados brasileiros. Entre as principais características de Baco estão suas fortes metáforas com letras cruas e poéticas, que falam sobre amor, sexo, poder, religião e sociedade. Portanto as letras de Baco carregam fortes analogias históricas e filosóficas, exemplo é a música Poetas no Topo parte II:

“Vai se foder para lá, mas você já se fodeu
Eu tenho fé no seu verso como Nietzsche crê em Deus
Minha existência é heresia, Espírito Sant
Morri e voltei no terceiro dia, Malcolm Afrosamurai X
MCs correm de mim: RUN DMC, RUN DMC
Querem patrocínio da Supreme, eu da Skol
Querem ser Gengis Khan, mas cês só são mongol”


"Bicho de sete cabeças
Eu assustei o Cérberos
Sua jaula já não me prende
Meus ancestrais todos foram vendidos
Deve ser por isso que meu som vende
Deve ser por isso que meu som vende
Escravizaram meu povo por dinheiro
Quero dinheiro pra não ser escravo
A lei áurea é todo verso que eu escrevo

Rótulos me dão medo."

 No primeiro verso pequeno, Baco consegue fazer uma analogia a crítica que o filósofo Friedrich Nietzsche fez a religião cristã em suas obras e ainda consegue falar sobre Gengis Khan, um dos maiores imperadores da humanidade. No segundo verso, Baco faz uma crítica direta a escravidão dos negros no Brasil. 



Favela Vive Parte II

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 Com 23 milhões de visualizações no Youtube, a música Favela Vive Parte II é recheada de críticas sociais e uma delas é sobre a guerra as droga que o Brasil vive, ilustrada na parte do cantor Funkeiro:

“Nos entopem de pólvora, coca, esgoto a céu aberto
E quilombos de madeirite e concreto
O futuro chegou e ainda usamos corrente
Escravizados através do tráfico de entorpecente
Nos empurram todo dia goela a abaixo
Ódio, medo, desespero e incentivo à violência
Dizem que somos bandidos
Mas quem mata usa farda e exala despreparo e truculência
Cada beco da cidade guarda um pouco da guerra
Com projéteis que acerta, com projéteis que erra
Parece cocaína, mas é só tristeza
Ódio nos olhos de quem só conheceu pobreza Quem é o inimigo? Quem é você?
Nessa guerra sem motivos e sem vencedor
Quem é o inimigo? Quem é você?
A bala perdida acha o outro sofredor”


O Mc mostra como a guerra as drogas já foi perdida há muitos anos, como a própria ONU já disse.

 Atualmente a guerra as drogas não mostra efetividade nenhuma além de matar pobres e negros. São quase 59.103 pessoas assassinadas por ano . Uma a cada 9 minutos, em média, é o que mostra um levantamento feito pelo G1, com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal. Segundo o serviço de inteligência da Delegacia de Homicídios (DH), as drogas causam 77% dos homicídios em Curitiba. Enquanto a guerra as drogas continua matando inocentes e culpados o consumo de drogas só aumenta.

 O Brasil é o segundo maior consumidor de cocaína e derivados, atrás apenas dos Estados Unidos, de acordo com o segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Dessa forma o estudo mostra que o país responde hoje por 20% do mercado mundial da droga.


Oriente

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 Oriente é um grupo de rap brasileiro que surgiu em Niterói, no Rio de Janeiro no ano de 2009. O grupo possui quatro integrantes, sendo eles: Chino, Nissin, Geninho e Bruno. Contudo música “Dando Nomes aos Bois” é carregada de um profundo conhecimento histórico sobre os políticos que o Brasil já teve:


“O Eduardo está em Paes desde que era Garotinho O Fernando teve Collor pra salvar os nossos filhos Zé Dirceu, Sarney, Nader em Serra isso Getúlio nas horas Vargas não pensava em suicídio. Difícil achar um que Prestes na nação brasileira a Cabral se banha embaixo, Dilma Cachoeira Acmergência, Acminência Indica um estado de JaderpendênciaDefesa civil, Sérgio na Yamaha Mestre em dar voltas nos prédios da Barra
Porque no Brasil, corrupção é Genoíno No Palócio do Planalto Nagi Narra PinheirinhosDepois de Dantas mentiras, de tucanos e petistasIsso calha pra Calheiros, governo e oposicionistas Todos tão do mesmo lado, todos são da mesma firma Eles negam até a morte e você aperta confirma”


 Dessa forma, a música é uma verdadeira aula de História para aqueles que não conhecem bem os nomes que marcam e marcaram o Brasil na política ao longo de sua História.


A música na sala de aula:

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 Um dos principais aspectos que a música representa no processo de ensino-aprendizagem é o estímulo ao uso dos sentidos pelo aluno. Qualquer experiência musical, independentemente do estilo e dos instrumentos utilizados, promove maior habilidade de observação, localização, compreensão, descrição e representação em quem toca e quem houve. A música auxilia no ensino e aprendizagem, podendo ser um meio facilitador para a compreensão dos conteúdos pelos estudantes. No contexto educacional atual, a aprendizagem precisa tornar-se mais atrativa diante das dificuldades em sala de aula, sendo necessários novos instrumentos para propiciar as aulas mais atraentes e dinâmicas.  Sem contar que a música, assim como os filmes e memes, é uma ótima maneira de instigar e engajar os alunos na matéria. A música, no processo de ensino e aprendizagem, força o indivíduo a refletir sobre a linguagem musical e a dialogar com ele mesmo pois, com esses recursos, é possível levar o conhecimento do aluno para coisas do dia a dia dele, o que facilita muito a absorção da matéria. Ou seja, inove na hora de passar a matéria: use a música, no caso o rap, como um instrumento de ensino para chamar a atenção dos alunos. É possível, ainda mais no campos de humanas.

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